Boa noite,
antes de mais, ontem não
conseguimos escrever-vos porque não tínhamos Internet, portanto aqui vai o dia
de ontem contado como se fosse ontem:
Hoje (dia 24) estamos
literalmente nos pântanos, numa vila perto de Utrecht, onde vamos pernoitar,
para amanhã seguir para Utrecht.
O dia hoje foi passado em
Amesterdão, que é preciso ver para crer, não há filme ou novela que a retrate
tão bem como ela é. Uma cidade lindíssima que passou directamente para o
segundo lugar do nosso top 4 (em breve top 5) das capitais europeias.
O dia esteve muito bom,
excepto algumas gotas de água durante a tarde, mas nada que fosse necessário
abrir chapéu, que aliás nem tínhamos.
Assim que chegámos ao
centro da cidade, fomos logo engrupidos, estacionámos num P+R (Park and Ride),
que aparentemente não era o “good one”, como nos foi explicado mais tarde,
apenas outro P+R nos daria direito a trocar o parque do automóvel pelos
bilhetes de ida e volta. Saímos do P+R errado, 1.30€ por vinte minutos e
seguimos para o “good one”. Correu tudo bem, conseguimos trocar o parque pelos
bilhetes e lá fomos de tram até ao
centro em busca do posto de turismo.
O posto encontrava-se
perto da estação central de comboios, que logo nos deu uma ideia do que poderíamos
encontrar na cidade. Enorme e lindíssima, tudo construído com tijolinhos, o que
aqui parece ser muito típico, desde ruas a casas, tudo em tijolinhos.
Encontrámos o posto de turismo, agarrámos no mapa e pusemo-nos ao caminho!
Toda a cidade é um
monumento! Sem ter sofrido os ferimentos da segunda grande guerra como Roterdão,
Amesterdão mantém os edifícios antigos intactos… inclinados e desalinhados, mas
intactos.
Tentámos almoçar num sítio
típico, mas só nos aparecia Coffee Houses, e Pizzarias, o que nos levou a comer
num pequeno restaurante italiano, onde os empregados eram mesmo italianos.
Vinda a comida percebemos que até os tugas cozinham melhor comida italiana do
que os próprios italianos. Muita massa, pouco recheio. Saímos sem tomar o café,
na esperança de o beber numa das imensas Coffee Houses.
Andámos mais um pouco, tendo
como principal objectivo os principais pontos de interesse. Depois de termos
passado pela casa de Rembrandt e de termos visto o que no mapa dizia ser uma
sinagoga portuguesa, fomos ao café. O melhor bebido até agora desde Espanha.
De novo, as pessoas aqui
são muito simpáticas e grande parte fala inglês!
O que achamos que torna
Amesterdão tão especial são as avenidas de água, torna a cidade menos monótona
e muito mais charmosa. As casas construídas com a mesma arquitectura e o mesmo
material, tornam-na bonita e acolhedora, os canais dão-lhe sem dúvida um brilho
diferente.
Uma coisa de que
realmente estamos fartos é de bicicletas, são mais que as mães, andam por todo
o lado e as pessoas que nelas viajam acham que têm sempre prioridade, mesmo que
isso implique passar por cima de alguém distraído. Amesterdão tem muito espaço
para as bicicletas andarem o que é óptimo para elas, mas tem pouco espaço para
as pessoas que andam a pé, é uma pena, com tantos canais bonitos, termos de
andar a contornar bicicletas e muitas vezes a ir para a estrada para poder
passear.
Por falar em bicicletas,
existe um outro aspecto que achamos muito mal feito, tanto aqui na Holanda como
na Bélgica: os veículos motorizados de duas rodas de baixa cilindrada poderem
andar no sítio destinado às bicicletas. Torna o espaço para as bicicletas e
onde os peões normalmente têm de andar muito mais perigoso. O que nos leva a
outro aspecto: nesta cidade, quando a rua não é apenas pedonal, sentimo-nos
constantemente em perigo, se não são as bicicletas, são as scooters e vespas,
se não são as scooters e vespas, são os eléctricos, se não são os eléctricos são
os carros! É cansativo, temos de andar sempre com especial atenção. Pensamos
que as pessoas que cá vivem já conseguem agir naturalmente, apercebendo-se
melhor do que as rodeia, ou das zonas (para bicicletas, para eléctricos ou
estradas) em que estão.
Demos então a voltinha
turista alargada, deixando por ver, para grande pena da Licínia, a casa de Anne
Frank, que é um pequeno museu e que acolhe diariamente uma fila de visitantes
de vários metros independentemente da hora do dia. Ficava ligeiramente afastada
do centro e do nosso percurso, por isso decidimos deixá-la para a próxima, pode
ser que calhe!
No final da nossa volta turística
estava o Red Light District, o tão famoso distrito destinado às prostitutas
que, para grande admiração da Licínia, se encontravam em montras à espera de
clientes, com trajes super reduzidos e a sorrir a quem passava! A zona de dia é
realmente pitoresca, com todas as casas com uma luz vermelha…
Depois de sairmos deste
bairro, subimos até à estação e entrámos num bar onde o Jorge conseguiu beber
uma cerveja Willy, das mais fortes bebidas até hoje.
Finalmente e sem grandes
problemas, apanhámos o eléctrico e voltámos a casa, que é como quem diz, ao
carro, e viajámos uns curtos 25 km até ao hotel, no pântano (até tem nuvens de
mosquitos e tudo)!
Amanhã visitaremos
Utrecht, e deixamos a Holanda para trás, entrando na Alemanha por Essen!
OK, e agora o dia de hoje, quarta-feira:
hoje (dia 25) saímos do hotel, e como era de dia pudemos ver realmente onde
estávamos. O hotel situa-se numa espécie de lago com línguas de terra pela água
dentro, onde estão construídas casas, que de um lado têm estrada, e do outro
ancoradouros para cada pessoa ter o seu barco. Zona de ricos, os carrões à
porta das casas assim o indicavam… Ainda demos uma voltinha numa vila perto,
bastante pitoresca. Reparámos que apesar de ser um sítio pequeno, a creche
estava cheia. Os holandeses ainda têm dinheiro para ter filhos, não é como em
Portugal…
Depois fomos para
Utrecht. Deixámos o carro no P+R e fomos de eléctrico para a cidade, cujo
centro consiste em canais rodeados de casas e ruas pedonais, com dois níveis:
ao nível da água, onde havia casas com porta directamente para a água, e depois
o nível normal da rua. Um estilo parecido ao de Amesterdão, mas mais pitoresco,
as ruas são mais curvas e apertadas, e isso dá-lhes um ar mais romântico.
Fomos depois almoçar a um
bar, onde pedimos uma sopa do dia e uma sandes com salada de atum. Mas a
rapariga do bar sugeriu comer primeiro só a sopa, que era de galinha e vinha bem
guarnecida. Assim fizemos, e veio uma espécie canja de galinha com cuscus,
caril e picante, acompanhada de pão e manteiga. Estava bem boa, mas achámos
piada que os locais considerassem isto uma coisa bem guarnecida. Para nós era
só uma canja (e o Jorge achou-a demasiado picante!). Aqui se vê como em
Portugal os hábitos são diferentes. O almoço daqui é metade de um almoço
português!
Não ficámos mal, mas no
caminho para a estação, quando vimos uma loja de batatas fritas, decidimos ir
experimentar, até porque já andávamos curiosos. É que na Bélgica e na Holanda,
vê-se muita gente a andar na rua enquanto come umas batatas fritas estilo
caseiro, gordas e cheias de molho (à escolha). Pedimos um pacote, e no fim a
Licínia já estava enjoada… Pode ser que ela assim perca o hábito de deitar
abaixo sozinha pacotes inteiros de batata frita!
Com tempo, decidimos
passar em Arnhem, uma cidade chave durante a 2ª Grande Guerra, com uma ponte que
foi alvo de intensas lutas, a ponte que agora se chama John Frostbrug. Tirámos
fotos à ponte e alguns artefactos de guerra ali perto. Depois passámos no posto
de turismo, de onde decidimos ir para uma sugestão que nos feita: o cemitério
de veteranos de Oosterbeek. Foi uma experiência diferente, estar no sitio onde
descansam alguns dos homens que deram a vida num conflito com tanta
importância. Ver as lápides todas e pensar que, de certa forma, devemos um
pouco do nosso estilo de vida actual a estes homens.
Foi com alguma nostalgia
que partimos em direcção a Essen, na Alemanha. Atravessámos a fronteira, e a
principal diferença para as outras fronteiras foi a nível de sinalização: não
havia velocidade máxima na AE, só velocidade recomendada de 130km/h! Claro que
já sabíamos disto, mas é sempre diferente ver e estar numa AE onde sabemos que
podemos acelerar sem estar nenhum GNR à coca!
Mas depois de andar um
bocado, questionámos esta regra. É que o pessoal abusa, e logo a seguir à
fronteira passaram diversos carros a velocidades bastante elevadas, numa AE com
2 faixas. A atenção ao espelho tem de ser redobrada, pois os aceleras
aparecem-nos na traseira no espaço de 2-3 segundos! Não nos pareceu seguro
tamanho diferencial de velocidades…
No fim chegámos ao hotel
em Essen, onde uma senhora holandesa (!) muito simpática nos atendeu, e aqui
aconteceu uma situação que podia ter sido mais chata: enganámo-nos nas datas da
reserva! A reserva era para ontem! O que nos valeu foi que a senhora ainda
tinha 2 quartos, e prontamente nos arranjou dormida. Vá lá, tivemos sorte!...
Por hoje é tudo, amanhã
vamos ver Essen, e depois partir para Dusseldorf.
Beijinhos e abraços,
Nita e Jorge
Amesterdão
Arnhem
E não foram ao Basjoe?.. :(
ResponderEliminarNós passámos lá, mas vimos um tipo lá dentro assim
Eliminarhttp://i47.tinypic.com/34rizut.jpg
e decidimos passar ao lado.
Ainda fiquei com mais vontade de visitar Amsterdan... Vou estar por lá no primeiro fim de semana de Maio. Can't wait!
ResponderEliminarVou aproveitar todas estas tuas preciosas dicas. ;)