quarta-feira, 25 de abril de 2012


Boa noite,

antes de mais, ontem não conseguimos escrever-vos porque não tínhamos Internet, portanto aqui vai o dia de ontem contado como se fosse ontem:

Hoje (dia 24) estamos literalmente nos pântanos, numa vila perto de Utrecht, onde vamos pernoitar, para amanhã seguir para Utrecht.

O dia hoje foi passado em Amesterdão, que é preciso ver para crer, não há filme ou novela que a retrate tão bem como ela é. Uma cidade lindíssima que passou directamente para o segundo lugar do nosso top 4 (em breve top 5) das capitais europeias.

O dia esteve muito bom, excepto algumas gotas de água durante a tarde, mas nada que fosse necessário abrir chapéu, que aliás nem tínhamos.

Assim que chegámos ao centro da cidade, fomos logo engrupidos, estacionámos num P+R (Park and Ride), que aparentemente não era o “good one”, como nos foi explicado mais tarde, apenas outro P+R nos daria direito a trocar o parque do automóvel pelos bilhetes de ida e volta. Saímos do P+R errado, 1.30€ por vinte minutos e seguimos para o “good one”. Correu tudo bem, conseguimos trocar o parque pelos bilhetes e lá fomos de tram até ao centro em busca do posto de turismo.

O posto encontrava-se perto da estação central de comboios, que logo nos deu uma ideia do que poderíamos encontrar na cidade. Enorme e lindíssima, tudo construído com tijolinhos, o que aqui parece ser muito típico, desde ruas a casas, tudo em tijolinhos. Encontrámos o posto de turismo, agarrámos no mapa e pusemo-nos ao caminho!

Toda a cidade é um monumento! Sem ter sofrido os ferimentos da segunda grande guerra como Roterdão, Amesterdão mantém os edifícios antigos intactos… inclinados e desalinhados, mas intactos.

Tentámos almoçar num sítio típico, mas só nos aparecia Coffee Houses, e Pizzarias, o que nos levou a comer num pequeno restaurante italiano, onde os empregados eram mesmo italianos. Vinda a comida percebemos que até os tugas cozinham melhor comida italiana do que os próprios italianos. Muita massa, pouco recheio. Saímos sem tomar o café, na esperança de o beber numa das imensas Coffee Houses.

Andámos mais um pouco, tendo como principal objectivo os principais pontos de interesse. Depois de termos passado pela casa de Rembrandt e de termos visto o que no mapa dizia ser uma sinagoga portuguesa, fomos ao café. O melhor bebido até agora desde Espanha.

De novo, as pessoas aqui são muito simpáticas e grande parte fala inglês!

O que achamos que torna Amesterdão tão especial são as avenidas de água, torna a cidade menos monótona e muito mais charmosa. As casas construídas com a mesma arquitectura e o mesmo material, tornam-na bonita e acolhedora, os canais dão-lhe sem dúvida um brilho diferente.

Uma coisa de que realmente estamos fartos é de bicicletas, são mais que as mães, andam por todo o lado e as pessoas que nelas viajam acham que têm sempre prioridade, mesmo que isso implique passar por cima de alguém distraído. Amesterdão tem muito espaço para as bicicletas andarem o que é óptimo para elas, mas tem pouco espaço para as pessoas que andam a pé, é uma pena, com tantos canais bonitos, termos de andar a contornar bicicletas e muitas vezes a ir para a estrada para poder passear.

Por falar em bicicletas, existe um outro aspecto que achamos muito mal feito, tanto aqui na Holanda como na Bélgica: os veículos motorizados de duas rodas de baixa cilindrada poderem andar no sítio destinado às bicicletas. Torna o espaço para as bicicletas e onde os peões normalmente têm de andar muito mais perigoso. O que nos leva a outro aspecto: nesta cidade, quando a rua não é apenas pedonal, sentimo-nos constantemente em perigo, se não são as bicicletas, são as scooters e vespas, se não são as scooters e vespas, são os eléctricos, se não são os eléctricos são os carros! É cansativo, temos de andar sempre com especial atenção. Pensamos que as pessoas que cá vivem já conseguem agir naturalmente, apercebendo-se melhor do que as rodeia, ou das zonas (para bicicletas, para eléctricos ou estradas) em que estão.

Demos então a voltinha turista alargada, deixando por ver, para grande pena da Licínia, a casa de Anne Frank, que é um pequeno museu e que acolhe diariamente uma fila de visitantes de vários metros independentemente da hora do dia. Ficava ligeiramente afastada do centro e do nosso percurso, por isso decidimos deixá-la para a próxima, pode ser que calhe!

No final da nossa volta turística estava o Red Light District, o tão famoso distrito destinado às prostitutas que, para grande admiração da Licínia, se encontravam em montras à espera de clientes, com trajes super reduzidos e a sorrir a quem passava! A zona de dia é realmente pitoresca, com todas as casas com uma luz vermelha…

Depois de sairmos deste bairro, subimos até à estação e entrámos num bar onde o Jorge conseguiu beber uma cerveja Willy, das mais fortes bebidas até hoje.

Finalmente e sem grandes problemas, apanhámos o eléctrico e voltámos a casa, que é como quem diz, ao carro, e viajámos uns curtos 25 km até ao hotel, no pântano (até tem nuvens de mosquitos e tudo)!
Amanhã visitaremos Utrecht, e deixamos a Holanda para trás, entrando na Alemanha por Essen!

OK, e agora o dia de hoje, quarta-feira:

hoje (dia 25) saímos do hotel, e como era de dia pudemos ver realmente onde estávamos. O hotel situa-se numa espécie de lago com línguas de terra pela água dentro, onde estão construídas casas, que de um lado têm estrada, e do outro ancoradouros para cada pessoa ter o seu barco. Zona de ricos, os carrões à porta das casas assim o indicavam… Ainda demos uma voltinha numa vila perto, bastante pitoresca. Reparámos que apesar de ser um sítio pequeno, a creche estava cheia. Os holandeses ainda têm dinheiro para ter filhos, não é como em Portugal…

Depois fomos para Utrecht. Deixámos o carro no P+R e fomos de eléctrico para a cidade, cujo centro consiste em canais rodeados de casas e ruas pedonais, com dois níveis: ao nível da água, onde havia casas com porta directamente para a água, e depois o nível normal da rua. Um estilo parecido ao de Amesterdão, mas mais pitoresco, as ruas são mais curvas e apertadas, e isso dá-lhes um ar mais romântico.

Fomos depois almoçar a um bar, onde pedimos uma sopa do dia e uma sandes com salada de atum. Mas a rapariga do bar sugeriu comer primeiro só a sopa, que era de galinha e vinha bem guarnecida. Assim fizemos, e veio uma espécie canja de galinha com cuscus, caril e picante, acompanhada de pão e manteiga. Estava bem boa, mas achámos piada que os locais considerassem isto uma coisa bem guarnecida. Para nós era só uma canja (e o Jorge achou-a demasiado picante!). Aqui se vê como em Portugal os hábitos são diferentes. O almoço daqui é metade de um almoço português!

Não ficámos mal, mas no caminho para a estação, quando vimos uma loja de batatas fritas, decidimos ir experimentar, até porque já andávamos curiosos. É que na Bélgica e na Holanda, vê-se muita gente a andar na rua enquanto come umas batatas fritas estilo caseiro, gordas e cheias de molho (à escolha). Pedimos um pacote, e no fim a Licínia já estava enjoada… Pode ser que ela assim perca o hábito de deitar abaixo sozinha pacotes inteiros de batata frita!

Com tempo, decidimos passar em Arnhem, uma cidade chave durante a 2ª Grande Guerra, com uma ponte que foi alvo de intensas lutas, a ponte que agora se chama John Frostbrug. Tirámos fotos à ponte e alguns artefactos de guerra ali perto. Depois passámos no posto de turismo, de onde decidimos ir para uma sugestão que nos feita: o cemitério de veteranos de Oosterbeek. Foi uma experiência diferente, estar no sitio onde descansam alguns dos homens que deram a vida num conflito com tanta importância. Ver as lápides todas e pensar que, de certa forma, devemos um pouco do nosso estilo de vida actual a estes homens.

Foi com alguma nostalgia que partimos em direcção a Essen, na Alemanha. Atravessámos a fronteira, e a principal diferença para as outras fronteiras foi a nível de sinalização: não havia velocidade máxima na AE, só velocidade recomendada de 130km/h! Claro que já sabíamos disto, mas é sempre diferente ver e estar numa AE onde sabemos que podemos acelerar sem estar nenhum GNR à coca!

Mas depois de andar um bocado, questionámos esta regra. É que o pessoal abusa, e logo a seguir à fronteira passaram diversos carros a velocidades bastante elevadas, numa AE com 2 faixas. A atenção ao espelho tem de ser redobrada, pois os aceleras aparecem-nos na traseira no espaço de 2-3 segundos! Não nos pareceu seguro tamanho diferencial de velocidades…

No fim chegámos ao hotel em Essen, onde uma senhora holandesa (!) muito simpática nos atendeu, e aqui aconteceu uma situação que podia ter sido mais chata: enganámo-nos nas datas da reserva! A reserva era para ontem! O que nos valeu foi que a senhora ainda tinha 2 quartos, e prontamente nos arranjou dormida. Vá lá, tivemos sorte!...

Por hoje é tudo, amanhã vamos ver Essen, e depois partir para Dusseldorf.

Beijinhos e abraços,
Nita e Jorge

Amesterdão















Utrecht








Arnhem





3 comentários:

  1. Respostas
    1. Nós passámos lá, mas vimos um tipo lá dentro assim

      http://i47.tinypic.com/34rizut.jpg

      e decidimos passar ao lado.

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  2. Ainda fiquei com mais vontade de visitar Amsterdan... Vou estar por lá no primeiro fim de semana de Maio. Can't wait!
    Vou aproveitar todas estas tuas preciosas dicas. ;)

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